Ela sentia-se só e infeliz naquele escuro Domingo de Outono. Enquanto todos sorriam contentes pelas árvores nuas e o cheiro a castanhas assadas no ar, quando todos comiam e conversavam felizes, ela ficava sozinha a observar. E observar era o que ela fazia apenas...! Por todos os anos, todos os seus 15 passados anos ela não conseguia arranjar uma outra qualquer razão para se manter viva sem ser seus pais. O que a impedia de acabar com a sua vida era a sua familia, aqueles que a amavam independentemente do que quer que acontecesse e aqueles que ela tinha medo de desapontar ou magoar. Mas não se sentia capaz de lutar por mais um dia. O seu interior psicológico estava caótico e o pensamento que lhe ocorreu, o único que fazia sentido aos seus olhos, foi: Mas que dia mais perfeito! E foram estas as palavras que ela proferiu ao vento e as que lhe pareceram perfeitas para suas últimas.
Correu para longe das pessoas, correu até lhe arderem os pulmões. Correu até alcançar um local onde não havia movimento, um lugar onde nem as buzinas dos carros se manifestavam ou as luzes dos postes reflectiam. Ai então parou. Quando achou que era certo, quando não conseguia correr mais e quando o oxigénio lhe era escasso nos pulmões parou. Olhou para a pequena mas deslumbrante cascata que lhe havia aparecido à frente e sorriu. Era a primeira vez em meses que esboçava um sorriso sincero. Não por dever, não por educação, mas por desejo. Sentia-se livre. Era ali, naquele lugar e naquele momento. Era ali que se sentia em paz, em harmonia. E era ali que estava decidida a ficar para sempre. Sentou-se à beira de pequena lagoa que se formava em redor da queda de água e procurou uma pedra. Uma pedra aguçada o suficiente para lhe facilitar o processo. Encontrou-a.